Após a suposta prisão de Nicolás Maduro, na madrugada deste sábado, dia 3, uma imagem que alegadamente mostraria o presidente venezuelano sendo detido começou a circular de forma intensa nas redes sociais. A fotografia foi amplamente compartilhada e chegou a ser repercutida por políticos brasileiros de direita, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
As postagens reproduzem a tela de uma transmissão ao vivo do canal no YouTube Bovery Newsroom, sediado em Buenos Aires, mas conhecido por divulgar majoritariamente conteúdos relacionados à política venezuelana. Durante a live, o apresentador afirmou estar diante de um “registro histórico”, alegando se tratar da primeira imagem de Nicolás Maduro preso. Segundo ele, a foto teria sido recebida de Washington, nos Estados Unidos, e não teria sido gerada por inteligência artificial. No entanto, nenhuma fonte oficial foi apresentada para comprovar a origem da imagem.
Até o momento, não há qualquer confirmação por parte do governo dos Estados Unidos, tampouco de organismos internacionais ou autoridades venezuelanas, sobre a prisão de Maduro ou sobre a veracidade da fotografia. A ausência de comunicados oficiais levanta dúvidas relevantes sobre a autenticidade do conteúdo e reforça alertas sobre a disseminação de informações não verificadas.
Outro ponto que chama atenção é o posicionamento editorial do Bovery Newsroom. Na descrição do canal constam os nomes de Maria Corina Machado e Edmundo González Urrutia, figuras centrais da oposição ao regime chavista na Venezuela. Além disso, o site oficial do canal exibe uma foto de Maria Corina, o que indica um alinhamento político explícito e ajuda a contextualizar o viés das informações divulgadas.
O episódio reacende o debate sobre desinformação, uso político das redes sociais e o papel da inteligência artificial real ou suposta na criação e disseminação de imagens que podem influenciar a opinião pública. Em um cenário de alta polarização, especialistas alertam para a importância de checar fontes, buscar confirmações oficiais e manter cautela antes de compartilhar conteúdos que podem ser falsos ou manipulados.
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